O presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul (SinPRF-MS) e diretor de Comunicação da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Wanderley Alves dos Santos, destacou a necessidade de fortalecimento estrutural da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e defendeu a criação do Fundo Nacional de Combate ao Crime Organizado (FUNCOC), durante entrevista ao Jornal da Top 2ª Edição, na última segunda-feira (23).

Para o dirigente sindical, a criação do FUNCOC garante mais eficiência ao uso de recursos provenientes de apreensões realizadas pelas forças de segurança. Atualmente, bens e valores apreendidos de organizações criminosas passam por trâmites judiciais e são direcionados ao Tesouro Nacional, sem retorno direto para as instituições responsáveis pelas operações. 

“Se esse recurso fosse organizado em um fundo específico, teríamos mais agilidade e eficiência na aplicação, garantindo melhores condições de trabalho para as forças de segurança. Isso beneficiaria não só a PRF, mas também a Polícia Federal e a Polícia Penal Federal”, explicou Wanderley.

A categoria entrou em Estado de Alerta em defesa do Fundo de Combate ao Crime Organizado e, na última sexta-feira (20), realizou um ato para pressionar o governo federal. “Esse foi o início de uma mobilização nacional. Tivemos atos em estados como Goiás e novas manifestações estão previstas, com o objetivo de pressionar o governo a avançar com essa proposta, que é essencial para estruturar e equipar as polícias”, destacou.

Segundo o presidente do SinPRF-MS, apesar do diálogo positivo com o Congresso Nacional, há resistência dentro do governo federal em relação a criação do fundo, especialmente no âmbito do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. “A principal vontade precisa partir do Executivo. O crime organizado avança com rapidez, e o Estado precisa responder com eficiência e estrutura adequada”, pontuou.

Déficit de efetivo

Ao avaliar o cenário atual da PRF no estado, Wanderley apontou déficit significativo de efetivo diante da crescente demanda operacional. “Hoje temos cerca de 600 policiais ativos e aproximadamente 300 aposentados, mas precisaríamos de, no mínimo, o dobro desse efetivo. Mato Grosso do Sul é uma região estratégica, tanto pela rota bioceânica quanto pelo combate ao crime organizado, especialmente o tráfico de drogas”, afirmou. 

Em Mato Grosso do Sul, a PRF atua em 4.058 quilômetros de rodovias federais, com 22 unidades operacionais e nove delegacias distribuídas pelo estado, desempenhando funções que vão desde a segurança viária até ações de enfrentamento ao crime nas fronteiras.

Outro ponto enfatizado foi o crescimento das atribuições da PRF nos últimos anos, que tende a se ampliar ainda mais com a possível aprovação da PEC da Segurança Pública. “A PRF vem ganhando novas competências e, com a PEC, poderá atuar também em hidrovias e ferrovias. Isso amplia significativamente nosso campo de atuação e reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e pessoal”, afirmou.

Por: Ascom SinPRF-MS