Saiba como usar a raiva a seu favor
Vamos entender que raios de raiva é essa?
Primeiro existe a raiva crônica e a aguda - a primeira começa com uma implicância, um mal entendido, uma primeira impressão não muito boa e dai vai sendo alimentado no cotidiano das empresas. É muito mais uma questão de sentimento.
A questão aqui é que o cérebro humano tem um processo chamado de validação subjetiva, desvio para confirmação ou falsidade retrospectiva que acaba por agir a favor dessa raiva. (são processos que amenizam a dissonância cognitiva)
Esse processo refere-se a um tipo de sistema seletivo do cérebro em que tendemos a assimilar o que confirma nossas crenças e ignorar ou diminuir o que as contradiz.
Trocando em miúdos se uma pessoa não vai com a sua cara no ambiente de trabalho, tudo o que você fizer terá um viés negativo sob o ponto de vista dela. Na validação subjetiva o cérebro amplifica tudo aquilo que corrobora com o seu pensamento (nesse caso ter razão em sentir raiva de alguém) e simplesmente ignora o que te contradiz.
O cérebro trabalha para garantir que o que você pensa, decide ou julga esteja sempre certo, o que, ironicamente, faz com que você muitas vezes esteja errado (e achando que está coberto de razão, vai entender!)
O ideal para evitar ou suavizar este efeito é sempre questionar seu julgamento e sempre dar chances de ser contrariado. (é preciso um esforço hercúleo para isso). Eu por exemplo se sinto raiva de alguém logo de cara, ao invés de evitar essa pessoa e ficar com meus pensamentos reconfortantes, tento me aproximar mais e mais, conviver intensamente e desafiar minhas certezas. Dessa forma já descobri muitas pessoas fascinantes na vida e já acalmei muitas raivas improcedentes.
Já a raiva aguda está mais para uma forte emoção. Um arroubo, um ímpeto.
Neste momento o que está nos controlando é o sistema límbico (nosso cérebro primitivo) e nesse caso é praticamente impossível controlá-lo.
A amígdala manda mensagens de perigo para o resto do cérebro que imediatamente dispara adrenalina no sangue, seu corpo se prepara para o combate, sua visão entra em modo túnel (sabe quando dizem fiquei "cego" de raiva?), sangue corre para suas pernas, batimento cardíaco acelera, as mãos suam e entra em cartaz o instinto de lutar ou fugir. Ufa! Quanta coisa né? Mas tudo acontece queiramos ou não.
Uns escolhem lutar e soltam seus cachorros no primeiro que estiver na frente, outros preferem fugir e acabam ganhando uma bela gastrite de estimação com nome e tudo. (isso quando não descontam em casa, com filhos, família, amigos, zelador e etc.)
Sem contar que essa emoção é uma das maiores causas de sabotagem em projetos, retrabalho, ineficiência, falta de espírito em equipe, cancelamento de contratos, quebra de fornecimentos etc.
Mas será que a raiva é só ruim?
Não necessariamente. Você pode escolher o instinto de conexãoTM
Ela pode ser positiva se canalizada para algo produtivo.
É ai que entra nosso córtex pré frontal (nome chique para a voz da consciência) que é a área do cérebro que, entre outras coisas, negocia com a amígdala (sistema límbico) e acalma o medo. Nele estão nossos valores, crenças, objetivos maiores e também nossa capacidade de contemporizar as coisas e dar-lhes hierarquia, prioridade ou valor.
Um estudo recente da Universidade de Oxford descobriu que apenas por verbalizar sua emoção você já diminui a atividade da amígdala e conseqüentemente suaviza a sensação incômoda.
Na hora da raiva diga para si mesmo "eu estou com raiva" e pronto, deixe-a ir.
Autor: Márcio Mussarela
Fonte: Você s/a