Colônia paraguaia prepara festa para estreia na Copa


Os paraguaios em Campo Grande preparam uma festa para assistir a estreia da seleção nacional, hoje às 14h30. A maior colônia de imigrantes do Estado irá torcer contra a tetracampeã Itália, os atuais campeões, na sede da Colônia Paraguaia, na rua Ana Luiza de Souza, no bairro Pioneiros.

Por ser terça-feira, dia da semana e de trabalho, os organizadores esperam cerca de 100 torcedores. “Tem uma empresa que tem 45 paraguaios, mas eles não podem deixar o trabalho hoje para ver o jogo”, explica Amado Pereira, presidente do conselho da Colônia.

A mobilização conta com telões, músicos e também muitos quitutes como chipa e sopa paraguaia. “Se ganharmos da Itália hoje, teremos condição de ser líderes do grupo. Daí no domingo faremos uma festa para 400 pessoas”, explica Pereira.

A seleção paraguaia pega a Eslováquia no domingo. Neste dia, eles aparecerão ao vivo durante a transmissão do jogo na TV Globo.

“Será uma festa com muita música. No Paraguai, os jogos são como um carnaval. São muy acalorados”, conta. Pereira também disse que muitos estarão usando camisas “binacionais”: uma metade a seleção brasileira, a outra a paraguaia.

A estimativa é de que existem 80 mil paraguaios em Campo Grande. Em todo o Estado, são 300 mil, entre descendentes e paraguaios. São onze municípios na fronteira, com um ditado que diz: “MS, o estado onde o Brasil foi Paraguai”.

Os municipios de Ponta Porã, Porto Murtinho, Maracaju, Jardim, Bela Vista e Miranda foram anexados ao território brasileiro após a Guerra da Tríplice Aliança, em 1870. O povo destas cidades carrega muitas características do país.

O Estado possui mais com seu vizinho do que imagina. Além das tradições do tereré e da chipa, a influência musical é referência. A polca paraguaia é base para várias músicas tocadas por músicos sul-mato-grossenses. “Hoje a polca faz mais sucesso aqui do que no Paraguai, onde o pessoal ouve mais o sertanejo feito aqui”, comenta.

Os gritos dados antes de uma polca são chamados de Sapucaí, palavra guarani que significa “grito”. É tradição ouvir vários sapucais durante os jogos do Paraguai, de acordo com Pereira. “Há várias tradições, entre elas a de jogar água durante os gols”.

Recuerdos – De coração vermelho e branco, não é difícil encontrar paraguaios na Vila Popular, zona oeste da Capital. A maioria da população é de descendentes.

Os primeiros paraguaios que vieram para Campo Grande fugiam da Guerra do Chaco, conflito entre Paraguai e Bolívia nos anos 30, e também eram tropeiros, que comercializavam gado de corte.

Na região funcionavam vários frigoríficos, de acordo com Pereira, por isso eles preferiram se instalar na região. “Vamos esperar que todos tenham bastante orgulho de sua pátria e vistam a camisa”, ressalta.

Paixão fulminante - Há 27 anos, uma “paixão fulminante” uniu o coronel da PM (Polícia Militar), Júlio César Deck Vieira, 56 anos, à paraguaia Lídia Sória Vieira, 46 anos. Ela é natural de Horqueta, no departamento de Amambay, vizinho ao Estado.

Ele havia saído da academia da corporação e foi trabalhar em Ponta Porã, que faz fronteira com o Paraguai. Na cidade sul-mato-grossense, ele conheceu a mulher com quem se casou em três meses.

Apaixonada pelo Paraguai, Lídia afirma que sempre fez questão de dizer de onde veio e sempre teve orgulho do país de origem.

O casal assistirá com o filho ao jogo da seleção paraguaia. Para reforçar o amor pelo time do Paraguai e pela esposa, o marido preparou até uma surpresa.

Ontem ele cobriu o carro da família com duas bandeiras, uma do Brasil e outra do Paraguai. Júlio César fingiu que havia saído para fazer compras e pediu para que ela fosse buscar as supostas compras no veículo e, quando ela foi à garagem, viu as duas bandeiras.

“Fiquei muito emocionada”, conta. Ela acredita que a seleção paraguaia passará fácil pela Itália, “a seleção está vivendo um momento melhor que a italiana, vamos passar com tranqüilidade”.


Autor: Denis Matos e Aline Queiroz
Fonte: Campo Grande News





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